Quando eu era adolescente lá para os meus 15 anos, o meu pai comprou uma moto para mim e para o meu irmão uma Honda C100 Dream vermelha, parecida com aquelas motos chinesas que vemos em vídeos, e foi nela que aprendi a andar de moto…

Honda C100 Dream

Com uma embreagem semi-automática onde as marchas eram trocadas pisando em uma alavanca com o pé esquerdo, no pé direito ficava o freio traseiro, e no manete direito ficava o freio a tambor da roda dianteira, simples assim.

Nessa época a minha diversão era andar pelas ruas do bairro com os amigos, paquerar as meninas, subir o Pico do Jaraguá em várias motos, mexer na moto colocando para-lama de CBR, tirando a cesta, adesivando, removendo o catalisador pra fazer mais barulho, etc.

O primeiro tombo de moto a gente nunca esquece, na verdade foi bem ridículo. Parado no semáforo, apoiando peso de mais da moto para um dos lados e a moto tombou, eu magrelinho não consegui segurar e cai junto. Outro incidente, dessa vez ainda mais engraçado foi quando estava entrando no prédio com um amigo na garupa e acelerando a moto com o pé na embreagem enquanto o portão abria, quando soltei o pé da embreagem para entrar no prédio a rotação ainda estava alta e a moto empinou… Meu amigo que estava atrás distraído olhando as meninas na escola caiu de bunda no chão e eu consegui controlar a moto e entrar tranquilamente enquanto todo mundo ria dele, vermelho de vergonha.

Honda CBX200 Strada (2001 a 2006)

Por volta de 2001 meu irmão me repassou a moto dele, uma Honda CBX200 Strada verde e a partir dai tirei minha carta e comecei a andar de moto de verdade. Utilizava ela todos os dias para ir para faculdade e para o trabalho e aprendi alguns macetes com o meu irmão para a moto não ficar muito “visada” para os bandidos, como por exemplo, remover a carenagem da moto. Pensando hoje parece até engraçado, mas posso dizer que ninguém nunca tentou roubar a moto, mesmo eu tendo esquecido a chave no contato com a moto na rua a noite das 19h as 11h durante a faculdade.

Eu de moto com meu irmão (camisa do Che) e os amigos super exaustos… Percorreram o caminho de São Paulo até Sorocaba de bike.

O segundo tombo foi com ela também, voltando da faculdade a noite não vi um buraco na rua e peguei ele em cheio. A moto me jogou pra cima de tal forma que dei um “front-flip“, cai de costas e fui parar na contramão. Nessa hora a descarga de adrenalina foi tão alta que não senti nenhuma dor, a mochila que usava absorveu o impacto o capacete protegeu totalmente a cabeça. Por causa da queda a moto não ligou, deixei ela encostada em uma rua e voltei de ônibus… No dia seguinte ela ligou sem nenhum problema e o buraco tapado.

Honda C100 Biz (2006 a 2008)

Essa moto foi a minha primeira moto zero. Minha mãe foi contemplada em um consórcio e me deu de presente. Nessa eu aprendi a dar valor e aprender que moto pra andar na cidade não precisa de velocidade e nem ser chamativa. Uma moto para trabalhar mesmo. Econômica, confortável e com um bom compartimento em baixo do banco. Vendi ela e com a grana dei entrada nessa de baixo 🙂

Yamaha Fazer 250 (2008 a 2008)

Essa eu posso dizer que foi MINHA porque comprei ela todinha, com meu sofrido salário em suadas parcelas de consórcio que demorou demais a sair, dei um lance e fui contemplado. Eu digo que essa foi uma das melhores motos que tive, um conjunto de suspensão super equilibrados e macio, excelente torque e consumo baixíssimo. Usava ela para trabalhar e fazer viagens, uma delas de São Paulo para Florianópolis com minha namorada (e futura esposa) onde não passamos nenhum susto e nenhum sufoco.

Uma parada em Blumenau a procura de algum restaurante.

A autonomia da Fazer é absurda e o torque para ultrapassagens é sensacional! Na ida para Floripa uma parada para dormir Curitiba e na volta viemos direto, com paradas rápidas somente para esticar as pernas… Sofremos sim, só de lembrar as minhas costas já doem, mas com toda certeza uma moto versátil! Na foto acima troquei o farol dianteiro dela por um modelo da Acerbis Cyclope de motocross que deixou com um visual bem diferente. Eu a vendi praticamente zero porque surgiu uma boa oportunidade, mas com certeza eu teria ficado mais tempo com ela.

Triumph Daytona 950 (2009 a 2010)

Essa foi a oportunidade que surgiu! Não sei porque motivo estava navegando pelo site Moto.com.br e encontrei uma Triumph Daytona 950 batida, mas aparentemente sem muitos arranhões. Eu precisava dela pra fazer um dinheiro rápido e dar o dinheiro das chaves do apartamento que eu estava comprando, portanto eu vendi minha Fazer, comprei a Daytona para arrumar e vender. O pouco que andei com ela, posso dizer que passei muito nervoso… Nervoso nos dois sentidos! Sentido de muita adrenalina por ter uma moto com 150 cavalos no meio das pernas e que te faz abrir um sorriso de orelha a orelha quando acelera e que quando pára todos ao redor te olham. E no outro sentido passei um aperto em busca de peças para ela, pois me deixou na mão algumas vezes.

Posando com minha cara de trouxa… Pena que andei super pouco com ela 🙁

Sobre ela a experiência que fica é a seguinte: Uma moto esportiva é totalmente diferente de uma moto street, desde a posição de pilotagem a maneira de se fazer curvas. É uma moto de final de semana para andar em grupos, altamente visada e muito cara de se manter, mas que lhe traz uma felicidade de pilotagem única e que faz todo esforço valer a pena.

Yamaha NEO AT115 (2009 a 2012)

Minha mãe comprou essa moto em um leilão e me deu de presente enquanto eu estava arrumando a Triumph. Foi minha moto de locomoção diária para ir ao trabalho. Cheguei a fazer uma viagem para Ilha Bela com minha esposa e ela aguentou relativamente bem pela sua capacidade, mas eu não recomendo pegar estrada com ela.

Gosto de me lembrar dela assim. Sem pneu furado 🙂

Essa moto é guerreira, confortável, suspensão boa, automática, pneus grandes que absorvem bem o impacto, espaço embaixo do banco suficiente para um capacete ou capa de chuva… O meu único problema com ela era o pneu traseiro que sempre furava, e era um parto para trocar pneu dela, você precisa retirar o escapamento e todo o suporte direito chamado bacalhau, e os borracheiros faziam cara feia.

Harley Davidson 883R Sportster (2012 a 2013)

Essa foi a moto maior! A 883 é um verdadeiro trator como todas as Harleys com muita vibração, motor esquentando as pernas e toda de metal, sem plásticos! E que tesão de moto… O conforto era muito bom, só achava a suspensão dianteira muito rígida para o asfalto de São Paulo, então toda ondulação era um problema tranferido para os braços, bunda e coluna.

Essa deixou saudade…

É possível usar diariamente para trabalhar? Sem dúvida, inclusive ela vai muito bem pelos corredores, porém eu não recomendo se você pegar techos ondulados e esburacados. O banco original é terrível para o garupa e minha esposa reclamou absurdamente quando viajamos para Guaraú, mesmo utilizando um travesseiro extra por cima do banco… tadinha.

Suzuki Burgman 125 AN (2013 a 2014)

Eu tive alguns problema com o carburador da moto, tinha que limpar com certa frequencia e uma vez precisei substituir e esse é o tipo de problema que não gosto de ficar resolvendo. De resto, uma excelente moto com ótima arrancada, suspensão macia e os pneus mais gordinhos que os da Lead, absorvem melhor as irregularidades do asfalto.

Pneus pequenos, gordinhos e muito confortável

O banco da Burgman é mais macio que o da Lead e o espaço interno abaixo dele poderia ser melhor aproveitado, infelizmente só cabe um capacete, mas uma vantagem era seu espaço no escudo dianteiro para apoiar os pés, muito útil para dar aquela esticada nas pernas em trajetos mais distantes.

Dafra Citycom 300i (2014 a 2015)

Continuando a minha fase das motos automáticas, foi a vez da Citycom 300 uma “scooterzona” que aguenta viagens e com pneus bem maiores que deixa a moto muito mais estável. Eu peguei ela já achando muito estranho, a moto não desenvolvia a aceleração completa, parecia estar com o freio de mão puxado e ficava com velocidade limitada, precisei fazer uma limpeza completa no sistema de injeção e o problema foi resolvido. Como todas as motos anteriores eu a utilizava todos os dias para ir ao trabalho e era uma moto extremamente confortável e também mais alta, o que traz um pouco mais de confiança. Ela possui compartimentos bem amplos em baixo do banco, porta luvas e um super útil porta objetos na frente, além da tomada de 12 volts.

A buzina da moto me encomodava de mais, ela era meio fanha e parecia que tinha algo e um outro problema era que a moto não estava ligando de primeira e as luzes estavam meior fracas. Eu estava com uma bateria nova. Levei a moto na própria concessionária da Dafra que me falou que os modelos inferiores a 2012 tinham um problema no chicote e por isso não passavam energia de forma eficiente, mandei arrumar o básico porque eles não conseguiram solucionar o problema e infelizmente tive que vender a moto.

Honda Lead 110 (2015 até agora…)

No final de 2015 resolvi comprar a Lead novamente, porque analisando todas as motos que tive anteriormente, era a que se encaixava no meu estilo de vida atual. Uma moto automática, econômica, com muito espaço embaixo do banco dispensando o uso de baú, grande angulo de disterção e a única desvantagem… O conforto.

Tirando a moto da concessionária com minhas ajudantes 🙂

Vou dizer sobre o conforto porque foi um fato relevante na escolha e seria o único impeditivo de ter ela, mas acontece que o trecho da minha casa até o meu trabalho não é curto! São 15km de distância, porém as ruas são bem asfaltadas com poucos buracos e o mínimo de ondulação. Já estou há 1 ano e meio com ela e as costas começam a reclamar, por enquanto está tudo bem.

Guilherme Chimenti

é um designer com passagens por diversas é agências e produtoras. Em 2009 teve uma filha e se estabilizou em uma grande empresa. É graduado em Design Gráfico, pós graduado em Marketing e adora viajar, andar de moto e se possível fotografar tudo isso.

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